

O Série 62 já existia na linha Cadillac bem antes de ganhar o
estrelato com o célebre rabo-de-peixe. Quando foi lançado, em 1941, ele
não representava surpresa em termos de estilo, tecnologia ou mercado,
mas era o único da marca a oferecer um conversível. Porém, em alguns
anos, seria a versão sem teto que garantiria a ele uma vaga – bem
espaçosa – na história de Detroit.
Em 1942, além de para-lamas
mais ovalados e de uma nova versão fastback, veio a primeira imitação de
ogiva no para-choque dianteiro do modelo, dando início à inspiração
estilística na aviação militar. Era o que os americanos apelidariam de
“dagmars”, em referência à opulência anatômica frontal de uma famosa
atriz de TV. O Série 62 tornou-se o Cadillac mais popular. Com a entrada
dos EUA na Segunda Guerra, em 1942, a produção foi suspensa até 1946.
Em
1948, surgiria o mítico rabo-de-peixe, uma traseira adornada por
ressaltos que lembravam barbatanas. Trazia ainda para-lamas dianteiros
embutidos, marca do design pós-guerra. Um V8 com válvulas no cabeçote de
160 cv veio em 1949, junto com a famosa versão Coupe de Ville, sem
coluna central. Os “dagmars” começaram a inflar em 1951. A exclusividade
da carroceria conversível foi um pouco ofuscada pelo acabamento
superior e para-brisa envolvente do Cadillac Eldorado em 1953 – esse
vidro seria incorporado no Série 62 no ano seguinte.
De 1955 a
1958, os dois conversíveis se distinguiriam mais no estilo da traseira e
na potência (superior no Eldorado). Em 1959, os dois eram quase gêmeos.
Foi o ápice dos excessos de estilo, do designer Harley Earl e de
Detroit como um todo – o rabo-de-peixe media 107 cm. Mais que aviões, o
carro lembrava um foguete, impulsionado pelo V8 de 325 cv.
Tudo
era um exagero no Série 62 dessa época, tal qual o 1959 da foto. Como
seu comprimento, de 5,70 metros. Com o teto fechado, o ar-condicionado
congela tudo. A direção de volante grande é bem macia e o câmbio
automático é longo – sentem-se as mudanças, mas sem barulho. Porém a
maior surpresa é mesmo sua suspensão. O conversível não traduz o asfalto
em trancos e tampouco rola nas curvas. “Mas o freio tem fading e os
pneus superaquecem”, diz Delso Calascibetta, gerente de vendas da
Private Collections, que cedeu o carro para as fotos. Não é para menos,
afinal, são mais de 2 toneladas.
Em 1960, o desenho foi
simplificado, o que acentuou a aerodinâmica das linhas. Começava a era
Bill Mitchell no design da GM, mas a paridade estética entre os dois
conversíveis prosseguiria até 1964. No auge do Eldorado, o Série 62
oferecia quase o mesmo e vendia mais. Por custar menos e dispor antes de
uma versão conversível, ele conseguiu definir melhor a prosperidade e a
ostentação associadas aos Cadillac que seus irmãos mais célebres
ELDORADO
É
um erro comum achar que todo Cadillac conversível 1959 é um Eldorado
Biarritz (foto). Então como distingui-lo do mais simples Série 62? Uma
faixa cromada contornava os para-lamas traseiros do Eldo, que ainda
oferecia a opção de suspensão a ar e 20 cv a mais. Se ele atraiu 1 320
compradores, o Série 62 respondeu por 11 130 vendas naquele ano.